Quem Somos

Escola Śiva-Śakti de Kundalinī-Yoga

Tom Oliveira

5/15/20248 min ler

Ātman é um espaço dedicado ao estudo e a prática da expansão da consciência. Entendemos consciência como percepção, ou como dizem os Hindus: O Vedor, a Testemunha. Esta consciência em seu estado mais puro, e natural, é nomeada na Índia como Ātman.

Fundamentados na psicologia e na filosofia ocidental, na psicologia e na filosofia oriental e no Yoga pré-clássico e clássico, os estudos e as práticas do nosso espaço têm como finalidade fundamental encontrar pontos de convergência (de flexão) entre os seguintes opostos: Oriente e ocidente, transcendência e imanência, castração e liberação, consciência e energia.

Os nossos trabalhos práticos e teóricos buscam, fundamentalmente, a construção de um método de Yoga que permita o desenvolvimento das seguintes competências: a) 'cognição vital' - construção do entendimento a partir e para o desejo; b) 'expansão da consciência' - auto-liberação através do desapego e da suprema aceitação da realidade e c) construção de uma ética que no leito da visão tāntrica da vida, ao lado do movimento contemporâneo da filosofia da imanência (Derrida, Deleuze, Foucault) e fundamentando-se na psicanálise, em Shopenhauer, Nietzsche, Bérgson e nos filósofos pré-socráticos, especialmente em Heráclito, possa superar a dicotomia da ética Kantiana entre razão e desejo. A esta ética do desejo, ou ética da imanência, nós a nomeamos de 'ética do corpo'.

O caráter dinâmico do nosso site permitirá uma constante troca de informações acerca de encontros, cursos, palestras, trilhas, etc.; e também de debates sobre pontos teóricos fundamentais dos nossos trabalhos e, especialmente, do método de Yoga que desenvolvemos em nossa escola – Saṁsāra-yoga.

DE ONDE VIEMOS (um pouco de história)

A história do hoje denominado ĀTMAN CENTRO DE YOGA E PSICOLOGIA (ex-KORPUS casa do ser) seguiu um percurso nem sempre linear. No entanto, nas águas que percorreram no leito deste rio o Yoga sempre esteve presente, como um fio condutor que delineava, a todo o momento, o ponto do horizonte a seguir: A consciência transcendente e imanente.

Inicialmente, ao ser criado em 1988 no bairro da Ribeira, recebeu o nome de KORPUS ACADEMIA centro de cultura, reabilitação e treinamento. Naquela época, tendo uma estrutura de academia no estilo clássico, oferecíamos: aulas de Yoga, ginástica, musculação e condicionamento físico individualizado.

Mais tarde, em 1992, mudamos a sede para a av. Joana Angélica (centro) e introduzimos, além do que já oferecíamos na sede anterior, o ensino de dança, capoeira, kung-fú, tae-che-chuan, judô e um serviço básico de fisioterapia. Em 1997 iniciamos os serviços de psicologia clínica, aí então o nosso espaço ganhou um aspecto bastante híbrido. A partir do ano de 2.000 fomos encerrando, gradualmente, as atividades típicas de academia, focando os nossos trabalhos nas atividades voltadas para uma finalidade que, partindo do corpo, nos conduzisse para a expansão da consciência. Em verdade, a tendência natural era para uma busca de integração profunda entre corpo-energia-consciência.

Apesar desta mudança de rumo continuamos a denominar o nosso espaço de KORPUS, mas desta vez como KORPUS casa do ser. Este nome apesar de trazer uma indicação do novo caminho a seguir: 'corpo-energia-consciência', ainda conservou o traço característico inicial da academia, korpus; sendo, pois, um nome de certa forma inadequado.

No ano de 2003 adquirimos a nossa sede própria, uma linda casa em estilo colonial localizada no bairro dos Barris, o qual vem se tornando um verdadeiro bairro cultural no centro da cidade. Hoje nele funcionam: Biblioteca pública, faculdades, cinema, teatro, escolas de Yoga, etc. Nesta nova sede criamos uma nova estrutura e passamos a trabalhar com: Yoga, psicologia, arte-terapia e massoterapia. Desta forma, à medida que fomos reformulando o caráter dos nossos serviços, o nome KORPUS passou a não mais atender à necessidade de nos representar.

Buscando um nome que melhor pudesse representar o caráter das nossas atividades chegamos a Ātman Centro de Yoga e Psicologia. A palavra Ātman é um termo sānskrito que segundo o Léxico de Filosofia Hindu (sānskrito , pāli e tāmil) da editora Kier, de Francisco Kastberger, significa o 'Si-mesmo', o verdadeiro Eu como núcleo mais interior, tanto do ser particular como de todo o universo. O universal é Paramātman e o individual é Jivātman. Na filosofia Sānkhya é conhecido como Puruṣa, e no Tantra é nomeado como Śiva.

Na nossa interpretação imanente, ou tāntrica, do conceito de Ātman o vemos como a 'unidade fundamental deconsciência e energia'que se encontra no centro de tudo o que existe, e que é a 'causa primeira'de tudo o que existe ou venha a existir. Na filosofia hindu é conhecido também como o Vedor, ou a Testemunha. Também identificamos Ātman como 'percepção pura' no sentido do Bergsonismo.

Em verdade, o termo Ātman pode ser usado como simbolizando a nossa 'natureza própria' - autonatureza de acordo com o Zen. Esta natureza compõe em si mesma tanto a consciência como a força vital, que são os dois aspectos de uma mesma realidade: o 'monismo dialético'de Śiva-Śakti, Puruṣa-Prakrtī ou Ātma-Māyā.

O QUE SOMOS

O Espaço Ātman Centro de Yoga e Psicologia , ex-KORPUS, surgiu a partir de três demandas da prática do Yoga no ocidente:

1) Recuperação e preservação das raízes pré-clássica e clássica das técnicas, dos métodos, das filosofias e da cosmologia do Yoga;

2) Realizar uma releitura critica das principais obras clássicas do Yoga, reinterpretá-las de acordo com os fundamentos do Tantra, adaptá-las às condições culturais atuais do ocidente e fazer uma crítica dos fundamentos clássicos do Yoga, que são: a) Vida é sofrimento, b) O desejo como causa do sofrimento e c) A renúncia ao desejo e abusca datranscendência como única forma de superação do sofrimento. Para entender a necessidade desta releitura critica dos fundamentos básicos do Yoga clássico é preciso lembrar que a partir da era clássica hindu, época em que se deu o "florescimento" do Yoga na Índia, a sua prática sofreuuma radical mudança.

Na era das upaniṣads, do budismo, do jainismo e da disseminação do vedānta por toda a Índia realizada por Śankaracaryā, o Yoga saiu das florestas, das casas e da vida para o isolamento dos ashrans, renunciando a imanência para uma busca radical da transcendência. O Yoga então se tornou antinatural e contrário a vida que devia celebrar! Mais tarde sabemos que houve a reação tāntrica na idade média, mas tal reação além de preservar elementos radicais da transcendência, fracassou perante a forca com que o vedānta foi disseminado por toda a Índia.

3) por fim,visamos a criação de um método de Yoga que, conservando as suas raízes pré-clássica e suas conquistas clássicas e pós-clássicas, e preservando a qualidade e a intensidade de suas técnicas, ou seja, toda a sua psico-tecnologia espiritual, possa adequar-se ascondições estruturais da subjetividade da cultura ocidental pós-moderna. Tal esforço metodológico concentra-se na busca de um método de Yoga afirmativo da vida e do desejo, e que propicie a possibilidade de superação do sofrimento sem a necessidade da renúncia, ou seja, um Yoga imanente/transcendente.

As raízes do Saṁsāra-yoga abrangem todas as eras: antiga, clássica, medieval e moderna através das quais o yoga se desenvolveu. Buscamos, em nossas pesquisas, retirar e aproveitar todos os pontos dos vários métodos que pudessem se harmonizar em um método único. Desta feita encontramos pontos de convergência em todos os pontos de vistas filosóficos nos quais se basearam a metafísica de cada método clásico de yoga: Sānkhya, Vedānta e Tantra. Outro ponto fundamental é que na prática avançada do nosso método o sādhaka (praticante) desenvolve e experimenta todas as técnicas fundamentais de cada método clássico de Yoga. Assim, a linhagem do Saṁsāra-yoga denomina-se 'madhyama-cara-tantrico-shesvara-vedānta-sānkhya-yoga', fundamentando-se em uma síntese dos três darśanas principais do hinduísmo: Tantra, Sānkhya e Vedānta.

A este método afirmativo da vida e do desejo nós o nomeamos de Saṁsāra-yoga. Porque Saṁsāra? Saṁsāra, segundo o léxico de filosofia Hindu, citado acima, significa a série indeterminada das existências governadas pelo karma. Em verdade, significa a série indeterminada de existências do Si-mesmo nos ciclos dos Kalpas (criação cíclica dos universos), existências estas sustentadas pelo desejo, causa individual e cósmica da existência. No final de cada Kalpa tudo volta outra vez para a substancia primordial divina, é o mahā-pralaya. Nos intervalos entre as criações o criador, Brahmā, descansa sobre a serpente Anānta (infinita). Cada criação dura um dia de Brahmā, distribuídos em quatro períodos ou Yugas, que são: Satya-yuga (3.200.000 anos), Treta-yuga (2.400.000 anos), Dvapar-yuga (1.600.000 anos) e Kālī -yuga (400.000 anos). Estamos vivendo em nosso universo no último período, a era negra de Kālī , que teve o seu inicio, segundo a tradição hindu, no ano de 1.500 a. C.

O Saṁsāra -yoga vislumbra a possibilidade de a consciência não somente tornar-se capaz de viver a imanência sem sofrimento, como também transitar de forma consciente nas séries de suas várias encarnações através do pleno despertar do corpo sutil (sūkṣma-śārīra) e, além disso, transitar, de forma consciente, na série interminável dos Kalpas e Pralāyas sem se dissolver na substância primordial. A esta condição da consciência de autodeterminação cósmica a tradição tāntrica nomeia de Siddha (perfeito), e o sāṇkhya de īśhvara (senhor).

Desta forma, o Saṁsāra -yoga é uma tentativa de construir um método de Yoga que possibilite desenvolver as capacidades físicas, emocionais, mentais e espirituais que permitam a consciência (Si-mesmo) não somente transitar com equilíbrio nas dificuldades e frustrações da vida cotidiana (imanência), mas também ser capaz de vivenciar o prazer nos seus níveis mais sutis e, acima de tudo, tornar-se capaz de transitar da atitude imanente (aquele que vive, goza e sofre) para a atitude transcendente (aquele que observa testemunha e vê), e da atitude transcendente para a atitude imanente. Em termos do Yoga, isto quer dizer a capacidade de transitar nos três mundos: grosseiro (sthūla -śārīra), sutil (sūkṣma-śārīra) e causal (kārana-śārīra).

O método do Saṁsāra -yoga tem como ponto de partida para o samādhi (expansão da consciência) as sensações e a expansão dos sentidos. Adotamos este ponto de partida em função da nossa interpretação do 'Yoga citta vrtti nirodha', interpretando nirodha como extinção a partir da expansão e não a partir da restrição como interpreta o Rāja-Yoga. Nesta caminhada pelas sensações a consciência não deve fazer escolhas. Não importa se a sensação é agradável ou desagradável, se é de dor ou de prazer, o que importa é o contato com a sensação, é o estar consciente com o que esteja acontecendo naquele instante na imanência, é o estar ligado. Consciência, respiração e sensação, este é o viés do processo interno para se chegar ao prāna, a kundalinī, as nādīs e aos cakras, isto é, ao corpo sutil (sūkṣma -śārīra)

Acompanhando os movimentos da respiração , seguindo a trilha das sensações, ativando os caminhos (nādīs) da energia vital (prāna) e seguindo os passos do Hatha-Yoga clássico através das técnica do prānāyāma, bandhas, mudrās e āsanas, o Saṁsāra-yoga busca despertar o potencial inativo da kundalinī, ativar o canal do suṣumṇā-nādī, alcançar a revelação do corpo sutil, desenvolver os siddhis fundamentais da consciência: desapego, autoliberação, não-reação às frustrações e perdas, isto é, superação dos kleśhas (pavor, ira, culpa e inveja e apego), e, assim, alcançar a superação do sofrimento e da morte, conquistando a eternidade. Um Yoga estruturado para a expansão da consciência com o corpo, para o corpo e através do corpo.

MUITA PAZ